
" Nossas Dádivas "
O sol buscava a linha do horizonte, e o manto escuro da noite já
se espalhava pelos campos, quando o trabalhador deixou a lavoura
e tomou o caminho de volta para casa.
Caminhava a passos largos com a colheita do dia às costas,
quando notou que em sentido contrário vinha luxuosa carruagem
revestida de estrelas.
Contemplando- a fascinado, viu-a parar junto dele e, quase
assustado reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu
dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...
O quê? refletiu espantado.
O Senhor da Vida a rogar auxílio a mim que nunca passei de
mísero escravo na aspereza do solo?
Mas como o Senhor continuava esperando, mergulhou a mão no
alforje de trigo que trazia e entregou ao divino pedinte apenas
um grão da preciosa carga.
O Senhor agradeceu e partiu.
Quando, porém, o pobre homem do campo voltou a si do próprio
assombro, observou que doce claridade vinha do alforje
poeirento...
O grão de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola
transformado em uma pedra de ouro luminescente. ..
Deslumbrado gritou:
Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor daVida?
O apólogo retrata um pouco da atual realidade da Terra.
Quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé,
no caminho dos homens, o Cristo pede cooperação para a
sementeira do Seu Evangelho junto ao Seu rebanho sofrido.
No entanto, nós costumamos agir como o lavrador.
Não estamos dispostos a ofertar a nossa dádiva em benefício do
bem comum. E quando fazemos, damos apenas uma pequena migalha.
O Senhor da Vida não necessita das coisas materiais porque todas
lhe pertencem, no entanto, solicita a nossa autodoação em prol
da edificação de um mundo moralmente melhor.
Assim como o verme executa sua tarefa embaixo do solo, a chuva e
o vento fazem seu papel no contexto da natureza.
Assim como o sol, a lua e os demais astros trabalham para que
haja harmonia no Universo...
Assim como as abelhas e outros insetos fazem a tarefa da
polinização, possibilitando a fecundação da vida...
Assim também o Senhor da Vida espera de nós a dádiva da
polinização do seu amor junto aos Seus filhos.
A pequena dádiva da paciência e da tolerância...
A esmola convertida em salário justo, dignificando o homem...
Uma migalha de afeto doada com sinceridade. ..
O sorriso capaz de despertar a alegria em alguém...
Um minuto de atenção a um enfermo solitário...
A palavra sincera capaz de esclarecer e consolar...
Uma semente de esperança plantada no coração de alguém que
sofre...
São nossas pequenas dádivas que se converterão em luz a
iluminar nossa própria caminhada.
Pense nisso!
O Senhor da Vida está sempre a solicitar a nossa colaboração
para que Seus objetivos nobres se concretizem na face da Terra.
Sabedores de que nossas pequenas dádivas se converterão em
tesouros eternos, não as economizemos como o lavrador. Agindo
assim não teremos que dizer:
Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?